De que me serve ter buscado insana e pacientemente as palavras certas? Sim, guardo a vaidade de ter alcançado a tua melhor descrição, construído o teu retrato mais belo, eternizado o dia do teu maior esplendor. Fiz-me cego de enxergar a luz. Tenho os olhos e o peito cansados, e regurgito um gosto de entranhas e morte. Não sei se renasço desta vez. Ficou sem sentido o meu incêndio mais espetacular, o meu último holocausto. Eu quis proclamá-lo ao mundo, para que todos saibam como é bonito e sério o nosso afeto. Mas não. Você quer tudo em segredo, como um pecado, uma falta, uma indecência. Eu sou o homem oculto, aquele das festas ilícitas e clandestinas, o poeta para os momentos frívolos, o inconfessável.
posted by ReNato at 1:07 PM