liturgia das horas  

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di?rio de leituras e contatos
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   quarta-feira, agosto 03, 2005
Talvez um novo tempo, um quase novo lugar. Às vezes a vida muda um pouco. De outras, muda muito. Todavia, todo cambia.


   terça-feira, agosto 02, 2005
Um círio numa catedral em ruínas. Em verdade, houve reformas aqui na caixa do peito, vim me refazendo. Ali por setembro de 2004, eu tive medo de não querer viver mais. Coisas aconteceram, providências foram tomadas, atitudes. Bem dizia Agustina Bessa-Luís que "mudar de vida também é um ato curativo". Sempre tem alguma coisa acontecendo, algo sempre muda, todo cambia. Todavia, algumas coisas permanecem, uns afetos, uns fascínios, umas suspeitas. E claro que esperamos a manhã de nevoeiro em que voltará dom Sebastião. E claro que ainda nos fascinam as mulheres elegantes e claro que ainda muito vamos lhes dizer palavras de amor.


   segunda-feira, agosto 01, 2005
Há tanto tempo sem vir aqui. Tempos bicudos, tempos de quase-morte, umas alegrias, umas decepções, e este coração que teima em queimar como um círo numa catedral em ruínas. E de novo vou pedir piedade para essa gente careta e covarde. E de novo gemer o mesmo velho blues, os mesmos boleros de sempre. Ou, como disse o cantor popular: é, minha cara - eu mudei minha cara, mas por dentro eu não mudo.
Umas suspeitas, umas saudades. E este coração queimando como um círio numa catedral em ruínas.


   quinta-feira, setembro 23, 2004
De que me serve ter buscado insana e pacientemente as palavras certas? Sim, guardo a vaidade de ter alcançado a tua melhor descrição, construído o teu retrato mais belo, eternizado o dia do teu maior esplendor. Fiz-me cego de enxergar a luz. Tenho os olhos e o peito cansados, e regurgito um gosto de entranhas e morte. Não sei se renasço desta vez. Ficou sem sentido o meu incêndio mais espetacular, o meu último holocausto. Eu quis proclamá-lo ao mundo, para que todos saibam como é bonito e sério o nosso afeto. Mas não. Você quer tudo em segredo, como um pecado, uma falta, uma indecência. Eu sou o homem oculto, aquele das festas ilícitas e clandestinas, o poeta para os momentos frívolos, o inconfessável.






   terça-feira, janeiro 06, 2004
Quando a conheci, ela usava uma calça de couro negro, como um uniforme de vamp, uma promessa de fetiche. As mãos muito brancas, unhas muito vermelhas, manejavam uma máquina fotográfica da cor do aço, cheia de recursos. Era uma mulher bonita e irrequieta, procurando o melhor ângulo para bater a chapa, chamando a atenção. Era moderna. E eu, calado, observador, era um homem antigo e modesto na minha busca clássica, camisa branca, paletó estragado. Fui testemunhar aquela mesa-redonda porque ali iriam estar escritores que admiro, ou pelo menos gosto de saber o que dizem e escrevem. Fui para ver, não para ser visto. Mas a moça era por demais evidente e ansiosa, de modo que nos vimos. Depois, aninhada em meus braços, ela confessou que me achou estranho. Deduzo que também anacrônica, mas muitos – talvez todos – pensam assim, eu incluído. É desse jeito que eu gosto. Houve uma magia qualquer. De entre os lábios vermelhos sua voz saía aveludada, acariciante. Toda sua performance era um jogo de sedução, uma necessidade de se fazer notar, um desejo de aventura. Talvez nada tão deliberado, mas sim incorporado, uma segunda natureza que lhe aderiu como uma tatuagem, passando a ser parte da pele. Eu não sabia que naquele encontro casual iria soar inaudível a pancada do destino, o anúncio do céu e do inferno, o limbo.


   segunda-feira, dezembro 22, 2003
Cores, texturas, odores. Ela é mulher e experimenta as coisas como uma continuada carícia. É claro que também existem asperezas – mas aprender a viver é justamente adestrar-se nas artes de defesa e esquiva, para que a ferida seja e seque em segredo, para que não restem cicatrizes aparentes – qualquer lástima será íntima, será revelada apenas aos íntimos. E ela precisa das loas do mundo, precisa se sentir poderosa e desejada. Isso e o prazer da roupa em si, o contato do tecido sobre a pele, um longo abraço que envolve pernas e braços, seios, costas, nádegas, e adentra pelos desvãos mais escondidos. Precisa ser vistosa, comunicar elegância e bom-tom, inteligência, modernidade, distinção. Por vezes esse exercício de si mesma fica difícil, os recursos não são suficientes. Mas trata-se de uma mulher, e mulheres dão um jeito, fazem o que é preciso fazer, tomam providências, conseguem o que querem. Àquela que tem, mais lhe será dado.


   terça-feira, agosto 26, 2003
DISSE A POETA:
No ar que eu respiro
existe um prazer.